quinta-feira, 9 de junho de 2011

Bomba falsa no escritório da Air France-KLM, Peru

Comunicado:

Em 3 de junho, fizemos uma chamada de advertência de colocação de uma bomba falsa no escritório da Air France-KLM com sede em Lima, Peru. Foi informado aos trabalhadores desta empresa sobre os sórdidos negócios que ela tem com a Huntingdon Life Science [que tortura e mata 500 animais todos os dias em experimentos], transportando Animais para aberrantes experiências.

Eles foram avisados desta escória e que cortem suas relações com a HLS, do contrário... BUM! ESCRITÓRIO.

Da próxima vez não será apenas uma chamada.

Frente de Libertação Animal – Peru



Fonte: ANA - Agência de Notícias Anarquistas

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A volta do Navio Negreiro

Na terça-feira 24 de maio de 2011, firmou-se, assinada e no papel, a volta dos navios negreiros aos mares do Brasil. Em vez do tradicional África - Brasil, os novos navios farão o trajeto Brasil - Turquia. O primeiro a zarpar sairá de Santa Catarina em julho, levando a bordo 4 mil escravos bovinos.

Esses animais, de até um ano de idade, atravessarão o Atlântico imobilizados em um porão. Chegando à Turquia, passarão por meses de engorda no sistema intensivo (o animal fica confinado) e caminharão pelo corredor da morte.

O acordo de exportação foi firmado entre a União de Importadores e Exportadores de Carnes e Derivados da Itália (Uniceb) e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). E, como disse o secretário de Estado da Agricultura, João Rodrigues, "até o próximo ano, pretende-se exportar 20 mil bovinos". - Link para matéria do SC 24H

Navio negreiro (também conhecido como "navio tumbeiro") é o nome dado aos navios de carga para o transporte de escravos (...). O navio possuía pouca higiene, os escravos habitavam o porão destes, presos a correntes. Era tão grande que levava em média quatrocentos africanos amontoados, mal alimentados e em péssimas condições de higiene. O cheiro era quase insuportável, o espaço era mínimo, embora o navio fosse muito grande, pois eram muitos escravos num mesmo navio. Os "donos" dos escravos pouco se importavam com isso. - Wikipédia


Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho
Em sangue a se banhar
Tinir de ferros... estalar de açoite...
...
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

- O Navio Negreiro, Castro Alves


Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo,
Alfredo


sábado, 14 de maio de 2011

A batalha digital contra o comércio de peles no Brasil

Sabendo de toda a crueldade que envolve o processo de fabricação de peles verdadeiras, o consumidor brasileiro não ficou calado. Protestos a nível nacional estão fazendo as empresas recuarem no uso de peles... e essa onda gigantesca de manifestações comoçou com frases de apenas 140 caracteres.

Após ficar mais de 48h no Top Trends do Twitter –a lista de temas mais comentados no momento-, a Arezzo firmou o compromisso de não usar peles em coleções futuras e retirar todos os produtos com pele de suas lojas. Bingo! O ativista brasileiro acabara de descobrir uma nova ferramenta.

O VegTemas surgiu para organizar essa ferramenta, pelo Orkut e Facebook são combinados dias e horários específicos para Twittar uma tag específica, com objetivo de subir aos Trends e dar visibilidade ao movimento.

O primeiro Twittaço aconteceu no dia 27 de abril, e a tag escolhida foi #colcci. Em apenas quatro horas de protesto digital, antes mesmo de chegar aos TTs, a Colcci postou uma nota em sua página oficial do Facebook alegando que não utilizaria mais peles em suas coleções, e que o único produto com pele verdadeira, uma bolsa, seria retirada de circulação.

Depois de uma vitória como essa, os ativistas se animaram ainda mais!

A próxima empresa ecolhida foi Le Lis Blanc. Depois de 4hrs nos Trends, com 12.900 Twitts do Brasil todo, a tag #LeLisBlood passou uma mensagem forte à empresa: Nós não queremos peles. A Le Lis, que já vinha apagando comentários no Facebook, não se manifestou... ainda.

Hoje, chegou a vez da M. Officer. O presidente da empresa, Carlos Miele, disse em uma palestra que “Os animais devem ser consumidos até o osso”. A frase virou quase um slogan da empresa nas comunidades pelos animais do Facebook. Preocupados, os assessores de imprensa da M. Officer emitiram um comunicado dizendo que “respeitam” os animais e as peles são “sobra” da indústria da carne. Parece que eles precisam de um dicionário...


O Twittaço começou às 9h da manhã e promete continuar ao longo do dia.

Twitte a tag #M_Officer e grite para o comércio de peles que aqui ele não tem vez.

http://www.youtube.com/watch?v=u-28__TFnEY


sexta-feira, 29 de abril de 2011

O que houve com o coelho da páscoa?

Da etiqueta de um casaco de peles...



Do manual de abate...
Com o coelho pendurado pelas pernas, de cabeça para baixo, corta-se a sua cabeça, permitindo uma boa sangria, melhorando o aspecto e a qualidade da carne. Com uma faca bem afiada, faz-se um corte circular em cada uma das pernas traseiras, na altura da articulação do calcanhar, cortando somente a pele. A partir desses cortes faz-se um novo corte em V seguindo a parte interna das coxas, circundando o ânus e os órgãos genitais. A pele pode ser deslocada com as mãos, sendo puxada de cima para baixo, saindo inteira, pela cabeça. Nas patas dianteiras também é feito um corte circular somente na pele para removê-la totalmente. Logo após a esfola, as peles devem ser imersas em água limpa, para evitar a aderência de sangue nos pêlos, o que deprecia a carcaça, principalmente as de cor branca.

Trecho do Trabalho Carne de Coelho, dos Projetos Multidisciplinares do Curso Superior de Tecnologia em Agropecuária: Agroindústria do Polo da UERGS em Encantado LINK




Calo-me. Nada mais precisa ser dito.

PROTESTE aqui!

Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo,
Alfredo

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Qual o preço da vida?

No Mercadão Municipal de Campinas, um real. Aqui, uma moeda que não compraria nem um pacote de chicletes compra uma vida... uma vida e muito sofrimento.

Entre as carcaças de peixes com olhos vidrados e morros de gelo, ergue-se uma pilha de caixotes plásticos velhos, de um amarelo forte, que chama a atenção. No caixote de cima, uma massa cinzenta se movimenta lentamente, quase uma maré em dia sem vento, movimentos constantes e lentos... mas, ao contrario da maré, aqui eles são lentos de agonia. Agonia de cerca de 50 caranguejos VIVOS, amarrados por cordões de um plástico desfiado em filas de doze, longe da água, longe da areia, do cheiro do mar.

Eles estão nessa situação há no mínimo cinco dias, quando saíram de Santos, em um caminhão aberto, sob o sol quente. Uns em cima dos outros, foram amarrados por redes numa viagem de duas horas e meia de vibração do motor, escuridão, medo, desespero dos parceiros. Os caranguejos não têm ouvidos como os nossos, mas têm um sentido mais aguçado nos pêlos das patas que faz com que sintam as mudanças na vibração da água e pressintam o perigo ou aproximação da comida. Imagine esses pêlos hiper-sensíveis captando as vibrações de um caminhão há 120 Km/h.

Às vezes, a genética e a natureza são um grandes infortúnios. Para esses caranguejos, a resistência física é um pesadelo. A viagem poderia matá-los e poupá-los do sofrimento, mas não, fracos e quase sufocando, chegam vivos na peixaria. Manipulados sem nenhum cuidado, é comum ver patas amputadas no fundo das caixas amarelas. As partes com mais “carne” são a pinça e o corpo, logo, para o vendedor, um caranguejo com sete patas em vez de oito não é problema. Mas para os aleijados, é. Crustáceos têm sistema nervoso desenvolvido, o que significa que ter uma pata arranca dói tanto para eles quanto para nós.

Caranguejos respiram da mesma forma que os peixes, por brânquias. São aberturas na carapaça que filtram a água e retiram dela o oxigênio usado para sobreviver. É por isso que vivem perto do mar ou mangue, quando a carapaça começa a secar, eles correm para umedecerem-na de novo. Eles literalmente respiram água. E não tem água nas caixas amarelas das peixarias a não ser quando os vendedores lembram de esguichá-la. Isso significa que, na cidade quente, os caranguejos dispostos como produtos para venda estão sufocando aos poucos.

O vendedor anunciar que estão frescos é anunciar que eles foram capturados de três a cinco dias atrás. Para alguém que se dê ao trabalho de perguntar, o vendedor também há de dizer que o preço de uma “corda”, com doze caranguejos amarrados, é de R$ 12. Doze reais, por doze vidas. O preço da vida é um real.

Por um real, pode-se comprar um animal vivo que sofreu por cinco dias com o calor, sufocando amarrado aos seus semelhantes, de ponta cabeça, sem as patas, tentando escalar a caixa amarela. Alguém se aproxima e eles imediatamente retraem os olhos, como se não olhar fosse salvá-los da morte que os aguarda. Caranguejos são cozinhados vivos na água fervente.

A seguir, algumas linhas de sites* ditos culinários, qualquer semelhança com filmes de psicopata... pode não ser mera coincidência:

Coloque o caranguejo ainda vivo numa panela com água fervente e tampe. Cozinhe durante cerca de 30 minutos. Deixe esfriar na mesma água em que foi cozido. Retire da panela, lave com água fria e esfregue novamente com a escova. Depois que estiver bem limpo, coloque o caranguejo sobre uma tábua, com as pernas viradas para cima. Retire cada perna torcendo a parte onde se junta ao corpo. ALMANAQUE CULINÁRIO

Parecidíssimos fisicamente, mas totalmente distintos no sabor, o caranguejo e o guaiamum reinam quando o assunto é petisco feitos com frutos do mar. São casquinhos, ensopados, fritadas, patolas, tudo feito com os "bichos". O guaiamum pode tranqüilamente ir para a panela vivo. [Tranquilamente? Tem certeza?] FÓRUM MUNDO DA GASTRONOMIA

24 unidade(s) de caranguejo (...) Os caranguejos estarão nos amarrados, inteiros e vivos. Coloque no fogo uma panela grande com água e espere que ferva. Junte os caranguejos pegando-os pela cordinha que os prende e coloque-os na panela tampando-a. Deixe que cozinhem até que estejam todos vermelhos. CYBER COOK

É importantíssimo nunca comprar caranguejos mortos. Perca um tempinho, mas acompanhe o processo de matar e limpar. PETIT CHEF


Sinceramente, acredito e espero que depois de tudo isso “comer um caranguejo” tenha uma conotação totalmente diferente, mais violenta e “com menos sal”. Também acredito e espero que um dia todos os crustáceos possam criar suas famílias e cavar suas tocas em paz. Que eles possam caminhar com suas patinhas laterais pelas areias da praia e do mangue. Que eles possam se relacionar com os vizinhos, respirar tranqüilos e usar os pêlos da pata para sentir a vibração da água, seu lar.

Daquele que humildemente lhes fala pelos irmãos que não podem fazê-lo,

Alfredo


! Lembrando que Campinas foi apenas o alvo da investigação, milhares de peixarias e restaurantes do Brasil todo servem caranguejos que passaram por suplícios se não piores, iguais aos descritos acima. !

Um vídeo dos caranguejos vendidos vivos no mercadão de Campinas está disponível aqui: Youtube do Alfredo

*Para comprovar a origem dos textos, foram feitos print screens de todos os sites, disponíveis aqui: Picassa do Alfredo

Fotos: EMBRAPA

Informações sobre a biologia dos caranguejos:

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/crustaceos/crustaceos-4.php

http://museumvictoria.com.au/discoverycentre/infosheets/can-crabs-hear/

http://fotosdenatureza.blogspot.com/2009/08/caranguejo-uca.html

http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/caranguejo.htm

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O que temos para comemorar?


Mais 365 dias de mortes, de dores insuportáveis e gritos aparentemente inaudíveis. Podemos comemorar o derreme de óleo no Golfo, a continuidade da caça de baleias, o comércio de barbatanas de tubarão e a matança de golfinhos em Taiji. Podemos comemorar os trancafiados em laboratórios, em zoológicos, em parques, em rinhas, em fazendas de criação, em abrigos. Podemos comemorar os que morreram nesses lugares, atrás de grades geladas sem nunca saber o que é esticar as pernas e correr ao sol. Podemos comemorar os 15 ativistas da SHAC que passaram o natal e o ano novo na prisão, ou que Walter Bond ficará detido sem poder ajudar animais. Podemos comemorar que o Ady Gil está formando uma colônia de cracas no fundo do oceano. Podemos comemorar que, segundo as estatísticas da Animals Change, esse ano morreram 50.000.000.000 de animais para as pessoas comerem hambúrguer e churrasco, 250.000.000 de galinhos porque nasceram machos e não botam ovos, 5.500.000 vitelos porque suas mães tinham de dar leite aos bebês humanos, mais de 100.000.000 de "cobaias" SÓ NOS EUA- e esse número é uma estimativa baixíssima, já que animais de laboratório não entram na lei de proteção e não são contabilizados. Morreram 350.000 focas bebês para suas peles virarem casaco, 30.000.000 de chinchilas, raposas, coelhos e minks pelo mesmo motivo - e 2.000.000 cães e gatos. Estamos aqui, ainda aqui, por mais um ano.
Podemos? Podemos comemorar?

Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo

domingo, 26 de dezembro de 2010

Como foi o seu natal?

Enquanto as pessoas colocavam luzes de natal em suas casa e preparavam uma ceia sem pensar no "amar ao próximo", as ações abaixo aconteciam. Deixo-lhes o relato com apenas três palavras... veja. ouça. MUDE!
Daquele que humildemente lhes fala pelos irmãos que não podem fazê-lo,
Alfredo



Hoje é 14 de dezembro de 2010, são uma e quinze da tarde. Sou uma pessoa comum e estou num carro comum passando pela ponte que liga o continente à ilha de Florianópolis. Ao meu lado, o marco turístico de uma das mais belas capitais brasileiras. À minha frente, uma fila de carros com chapas de outros estados. Acima de mim, aviões trazendo turistas internacionais. Atrás, uma estrada de 35 Km que leva a uma cidadezinha chamada Três Riachos. Eu estou voltando dessa estrada, da granja industrial que fica ao final dela. O que eu vi ali é impossível esquecer, por mais que quisesse, e é impossível deixar passar no silêncio.

Sai de manhã, passei por três agropecuárias perguntando a procedência das galinhas. Descobri a Granja Áurea. Peguei estradas rurais e cheguei em um chão pisado de terra. Não consegui contar o número de galpões, apesar de estarem bem perto, pois quando pensava que eram tantos, outros tantos apereciam atrás. O carro parou no estacionamento de entrada. Abri a porta e desci, sem nem falar com ninguém, e fui entrando.
Te atinge os ouvidos e o nariz antes que tu te dê conta. O cheiro é podre, é forte. O barulho, o baraulho não sei descrever. Um som que vem de dentro do peito, nasalado, repetitivo. Vindo de milhares, milhares e não estou exagerando, de galinhas. Elas estão presas em linhas de gaiolas que se perdem da vista, em três andares de linhas, o que significa que as da linha de cima defecam nas das linhas de baixo. As gaiolas ficam expostas ao frio, ao vento, e à chuva, com apenas um telhado alto. Cada gaiola tem dois palmos de largura e dois palmos e meio de comprimento. Cada gaiola confina cinco galinhas. É uma folha de papel A4.
Quando uma ergue uma pata ou mexe a cabeça, todas as outras precisam se mover também. Elas não tem espaço para sentar nem se virar, ficam com as cabeças enfiadas na grade mexendo compulsivamente para frente e para trás. Deitar ou descansar as pernas é inimaginável, seus pés ficam pendendo de um chão de grades de ferro lotadas de esterco endurecido. As unhas chegam a abraçar a grade, tão grandes que ficam da falta do comportamento mais natural das galinhas: ciscar.
Elas têm os bicos cortados com 13 semanas de idade numa chapa quente, para evitar que matem umas às outras. Sim, elas sentem dor no bico. Com 18 semanas são levadas para as gaiolas de bateria, onde passarão a vida botando ovos para fazer o omelete e o bolo que os restaurantes servem, que as pessoas fazem. Quando estiverem muito machucadas, doentes ou pararem de dar lucro são vendidas aos funcionários do lugar por um real, um real e dez dependendo da quantidade. Ali, esse é o preço da vida. Elas provavelmente viram canja ou ensopado, se é que resta alguma carne naquele corpo tão socado. As que não são compradas esperam por um dia pré-definido, em que um caminhão vem buscá-las. Os funcionários não sabem o que acontece com elas.
A granja adquire os animais de um fornecedor em São Paulo. A viajem de mais de 10 horas é feita em um caminhão transportador. Esteja frio ou calor, elas vêm amontoadas às centenas sem água ou comida, vulneráveis ao sol, ao frio e ao vento. Os que chegam machos são mortos.
Na colheta dos ovos, feita diariamente, os trabalhadores são obrigados a contabilizar cada gaiola, inclusive ovos quebrados. O objetivo é ter controle das gaiolas que precisam de substituição.
Os ovos são lavados e embalados em caixinhas de papelão bonitinhas com desenhos coloridos. Essas caixas chegam aos supermercados e o consumidor paga para levar o ingrediente extra do almoço, o ingrediente totalmente dispensável. Esse dinheiro passa pela mão do operador do caixa, e é usado para comprar mais ovos, que vão dar dinheiro a um galego que nunca aperece na granja, para que ele compre mais galinhas de São Paulo e possa pagar a reforma da mansão na praia em que mora.
O ciclo não se fecha. Não se fecha mas pode fechar. O consumidor é o ponto mais pesado da balança, é com o dinheiro que passa para o operador do supermercado que o negócio continua. O ciclo pode se fechar se as notas continuarem na carteira na hora de passar no caixa. Ou a caixa de papelão na prateleira. Do contrário, a vida das galinhas não muda. Elas continuam presas nesse exato momento. Quem tiver coragem que vá conferir pessoalmente. Chega e entra, olha, vê. Ouve... e muda!

Confira as fotos da investigação:
Granja Áurea - Picassa do Alfredo

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Onde você estava?

Onde você estava quando me abriram a cabeça para implantar eletrodos? Onde você estava quando me cortaram o ventre para ver pulsar o sangue? Onde você estava quando me trancafiaram em uma gaiola, arrancaram de minha mãe, me causaram dor, me quebraram o espiríto? Onde vocé estava? Onde você está?
Onde você está quando rasgam o couro de animais vivos para alguém vestir? Onde você está quando arrancam as asas e a liberdade de um ser inocente? Onde você está quando apertam as genitais de quem só quer ficar tranquilo num campo? Onde você está quando dão choques para subjulgar quem foi arrancado de seu habitat natural? Onde você está quando confinam, torturam, mutilam, esfolam, matam? Onde, onde? Chorando, dormindo mal, fechando os olhos para vídeos de denúncia? Dizendo que ama os animais e que morre de dó? Parabéns, ajudou muito a empresa de travesseiros e a de Prozac. Agora é hora de ajudar de verdade quem realmente precisa. Onde você vai estar, quando receber um novo chamado para protestar, para erguer a voz? Fechando os olhos para algum vídeo sanguinolento do momento? Pois bem, sanguinolenta é nossa vida. Não temos família, não estamos na mídia, não temos um apelo emocional e sensacionalista. Só queremos viver. Onde você estará quando precisarmos de ti? Onde?

Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo

sábado, 6 de novembro de 2010

Manifeste-se contra a vivissecção! 11.11, às 11h, na UFSC

Caras pessoas com o poder de mudar a realidade,

Venho pedir-lhes sua voz.

Na próxima quinta-feira, dia 11/11, um grupo de voluntários vestidos de preto, em luto por meus colegas, estará colhetando assinaturas e conversando com estudantes na Universidade Federal de SC sobre os animais que morrem entre aquelas paredes. O que peço é simples: doe apenas uma hora das 168 que você terá nessa próxima semana para falar por nós, os trancafiados em biotérios.

Por favor, por favor, erga a voz!

Quinta-feira (11/11) às 11h em frente à reitoria da UFSC
Vir de preto, afinal, dezenas de animais estarão morrendo da pior maneira possível ...bem ali ao lado

Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo,
Alfredo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Na gaiola de um biotério

Cuidado! O que você vai ler é uma história real!

5 de novembro de 2010.
Nasci em um mundo que não compreendo... lotado de pessoas que não compreendo. Entre quatro paredes de concreto cinzento, abri os olhos. Estava escuro. Uma mão forte me pegou pelas costas. Os gritos de minha mãe eram altos, desesperados, mas as mão que me seguravam pareciam não entender nosso idioma. Ou éramos simplesmente ignorados. Fui prensado contra uma mesa de metal, uma luz pálida ofuscava minha visão de bebê. Injetaram-me algo na veia, senti as forças deixarem meu corpo. Acordei tremendo, uma dor insuportável atravessando minha espinha, minha cabeça. Tentei esquivar-me, mas meus músculos não obedeciam, a língua pendia para o canto da boca. Tentava a todo custo dobrar as mãos, mexer as pernas e correr dali... mas nada obedecia. Meu corpo jogado, caído mole, em cima da mesma mesa de metal. Colocavam algo na minha cabeça. Resmungavam qualquer coisa, eu entendia as palavras, mas não o significado. Era apenas um bebê. O pavor e o desespero fizeram todo meu sangue correr rápido pelo corpo, eu tremia, tremia involuntáriamente tentando contrair os músculos. A vista escureu aos poucos, a luz pálida embaçou-se até apagar por completo. Acordei trancado em uma solitária com paredes de acrílico transparente. Custei a entender que o que eu ouvia eram gritos. Urros de dor, de medo. E então o silêncio...
Algo pesava na minha cabeça, causava uma dor bem funda no crânio, a sensação, o ardor, sentimentos tão agonizantes que não achei serem posssíveis de existir. Eu era apenas um bebê. Queria minha mãe, seu colo acolhedor, fechar os olhos e fugir desse pesadelo. Não, não era pesadelo. Era real. A dor bateu forte, na base do crânio. A imagem de minha mãe foi arrancada de minha mente. Uma de minhas pernas começou a tremer, tremia em círculos, senti-a queimar, cansar, tentei pará-la, tentei até a respiração ficar difícil. Outra pontada de dor.

5 de novembro de 2010. Eu sou um dos bilhões de ratos que nasceu no lugar errado. Não, não é pesadelo. É real. Estou trancado em um laboratório de não sei o que, não sei onde e muito menos por quê. A luz pálida mostra silhuetas medonhas se aproximando. Vejo o brilho do metal, o bisturi que vai cortar alguma parte de meu corpo fora, a agulha que vai mergulhar fundo nos meus ossos. Fecho os olhos, o movimento dói. Tento fazer a mente correr dali. Tento morrer. Uma pontada na base do crânio. Não, ainda não, meu suplício está longe do fim.

5 de novembro de 2010.
E enquanto você senta confortavelmente num colchão, num sofá, eu tenho metais e fios elétricos enfiados no cérebro.
Enquanto você dorme, eu tento fechar os olhos sem desmaiar com a dor.
Por quê? Por quê eu e não tu? O que temos de tão diferente? Maldito corpo, por quê nasci um maldito rato? Por que ninguém está se importando? Por que ninguém faz nada?

Eu queria viver. Hoje sei que não posso mais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

2 de novembro de 2010: A Estréia


Um dia depois do Dia Mundial Vegano, três dias antes do aniversário de morte de Barry Horne. Hoje é para os pagãos o Beltane ou Samhain, hoje aconteceu a primeira corrida de atomóveis da América, o estado da Dakota virou "do Norte" e "do Sul", Haile Selassie virou 111° imperador da Etiópia, Costa Rica e Libéria de tornaram membros da ONU, um worm foi propagado pela primeira vez na internet. Hoje, nasceram Cleópatra e Maria Antonieta; morreram George Bernard Shaw e pessoas que não tiveram a sorte (ou infortúnio) de aparecer na Wikipédia. Um dia aparentemente ridículo para se estreiar um blog sobre direitos animais... Aparentemente...

2 de Novembro: para o México, o Brasil e mais algum país que também não estava na Wikipédia... é o Dia dos Mortos.
Dos Mortos. Ridículo agora? Nem um pouco.

Hoje é dia daqueles que jazem destroçados na barriga de milhões, bilhões de pessoas.
Hoje é dia daqueles cujos corpos marcados por tortura foram incinerados nos porões da ciência. Hoje é dia daqueles que morreram solitários em jaulas de zoológico. Hoje é dia daqueles que agonizaram por horas para algum riquinho vestir sua pele. Hoje é dia daqueles que cairam famintos e desidratados após anos de trabalho forçado. Hoje é dia daqueles que morreram esfaqueados em arenas espanholas. Hoje, mais do que qualquer outra data, é o dia deles. E, até a meia-noite, mais 160.000.000 (160 milhões*) de animais se juntarão a essa lista apenas pela indústria da carne. Imagine incluindo testes, peles, "entretenimento", "estimação", rituais.
Tente
imaginar...

6 bilhões de humanos são a causa.

6 bilhões podem ser a mudança. Alguns milhares realmente são.


Veja.. Ouça... MUDE!

Bem vindo ao meu blog.

Daquele que humildemente lhes fala
pelos irmãos que não podem fazê-lo,

Alfredo



*Fonte das estatísticas: World Farm Animals Day